Especial: Fragmentado
- Paulo Leite

- 26 de jul.
- 3 min de leitura
Atualizado: 31 de jul.

Será que existe algo especial escondido na vida comum? M. Night Shyamalan, um diretor que adora nos surpreender, nos convida a pensar nisso com seus filmes Corpo Fechado, Fragmentado e Vidro. É uma viagem que nos faz ver a ideia de super-heróis de um jeito novo, mais humano e menos de gibi, mostrando que o poder pode vir de onde a gente menos espera.

Para aproveitar toda a história, o ideal é assistir aos filmes na ordem em que foram lançados: Corpo Fechado, depois Fragmentado e, por fim, Vidro. Essa trilogia é como um quebra-cabeça que se monta aos poucos, e Shyamalan, do seu jeito único de contar histórias, nos guia por cada pedaço.

Em Corpo Fechado, de 2000, conhecemos David Dunn (Bruce Willis), um homem normal que, de repente, descobre que nunca ficou doente ou se machucou. A vida dele se encontra com a de Elijah Price (Samuel L. Jackson), um fã de quadrinhos que tem uma doença rara que o deixa bem frágil. Bruce Willis nos faz sentir a dúvida de David, enquanto Samuel L. Jackson nos deixa curiosos com a ideia fixa de Elijah. A direção de Shyamalan aqui é suave, quase em silêncio, nos chamando para prestar atenção em cada detalhe, cada olhar. As cores do filme são mais escuras, o que aumenta o mistério dos personagens.

Depois de muitos anos, Shyamalan nos surpreende com Fragmentado (2016), trazendo um personagem totalmente diferente: Kevin Wendell Crumb (James McAvoy), um homem com 23 personalidades diferentes. McAvoy é incrível, mudando de personalidade de um jeito tão real que a gente esquece que é um só ator. A atuação dele é uma aula, nos fazendo sentir medo, pena e até um certo encanto. A direção aqui é mais rápida, acompanhando as mudanças de Kevin, e a música, quando aparece, é forte e aumenta a tensão. O filme mostra que coisas ruins podem, de um jeito estranho, "fortalecer" uma pessoa de formas que a gente não imagina.

Por fim, em Vidro (2019), a trilogia termina, juntando David, Elijah e Kevin em uma batalha. Shyamalan nos mostra o que acontece quando essas pessoas "especiais" se juntam, mudando o que pensamos sobre heróis e vilões. A direção continua focando nos rostos e nas reações dos personagens, fazendo a gente sentir a força de cada encontro. O visual de Vidro é mais limpo, quase de hospital, o que contrasta com a confusão da mente dos personagens. O filme nos faz pensar sobre como a sociedade trata quem não se encaixa, quem é diferente.

O principal dessa trilogia é ir além dos super-heróis coloridos e nos fazer pensar no que realmente significa ter um "poder". Shyamalan nos mostra que o que é especial pode estar na força de superar, na fraqueza, na complexidade da mente humana. Ele brinca com a ideia de que ser "anormal" pode ser a chave para algo grande.

Alguns podem achar que os filmes são lentos às vezes, ou que o foco nas emoções e na mente dos personagens, em vez de cenas de ação, pode ser um pouco difícil. Mas é exatamente aí que está a inteligência de Shyamalan: ele quer que você mergulhe na cabeça dos personagens, que sinta o que eles sentem, em vez de só ver lutas e efeitos especiais. Ele nos convida para uma experiência mais pessoal. A falta de música o tempo todo, por exemplo, não é um erro, mas uma escolha para que o silêncio e os sons do ambiente aumentem a tensão. É como se ele quisesse que a gente sentisse o mesmo que os personagens, a mesma sensação de não saber o que vai acontecer.

Se você gosta de filmes que te fazem pensar, que exploram a mente humana e que te surpreendem, essa trilogia é para você. É uma jornada que vai te fazer questionar o que é ser "normal" e o que é ser "especial".




